por Aninha Pellegrini

Filme de Alejandro Fernández Almendras, Chile.
O título do filme, “Huacho”, significa “bastardo” “filho sem pai”, mas também pode significar “abandonado”, “deixado de lado”.
O filme conta a história de uma família chilena que vive na zona rural próxima à cidade de Chillan. Numa casa bem simples vivem Clemira e Cornélio, pais de Alejandra e avós de Manuel, filho de Alejandra.
O filme mostra um dia na vida de cada um dos familiares, com um estilo narrativo que apresenta um personagem de cada vez: A avó de Manuel, com seus afazeres domésticos, e com a produção de queijos, que são vendidos por ela mesma à beira da “Routa 5”; A mãe de Manuel, que trabalha e cozinha numa fazenda próxima, que recebe turistas.; Manuel, em seu percurso longínquo até a escola, e sua rotina com seus colegas estudantes; Por fim o avô de Manuel, que, já cansado, faz manualmente cercas que delimitam as propriedades vizinhas à sua casa.
A câmera acompanha cada um desses personagens muito proximamente, frequentemente com a visão de suas nucas, de forma a quase a transferir ao espectador tudo o que lhes cerca.
O filme mostra como essa família é discriminada e praticamente abandonada pela vida moderna, por serem moradores e trabalhadores das zonas rurais. São filhos bastardos da modernidade (a avó tem dificuldade para vender seus queijos pois o preço dos mesmos na cidade grande é mais barato, Manuel não consegue jogar vídeo-game com os amigos, não tem dinheiro para o fliperama, sua mãe devolve um vestido recém comprado para poder pagar a conta de energia elétrica, etc.).
De forma muito simples e sensível, o filme nos mostra as dificuldades, carências, fraquezas, dúvidas e sonhos desses familiares moradores da zona rural, permeando a desigualdade e as desvantagens da tradição em relação à modernidade.